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PARABÉNS JOVEM GUARDA

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Jovem Guarda foi mais do que um programa de televisão, foi um movimento musical.
Uma variação suave do rock, batizada no país de iê-iê-iê, com letras românticas e descontraídas, dirigidas ao público adolescente e jovem.
Não poderíamos deixar esta data tão importante passar em branco e estaremos recordando canções, ídolos, fofocas e muito mais.
Vamos juntos viajar no tempo.

Surgia um novo programa para a juventude: Jovem Guarda.
A TV Record precisava de uma atração jovem para fazer frente às concorrentes e, além disso, as tardes de domingo estavam vagas por causa da proibição da transmissão ao vivo dos jogos do campeonato paulista.
Surgiu a ideia de contratar Roberto Carlos e Celly Campello para serem os apresentadores de um programa para a juventude.
Celly recusou-se a voltar à vida artística.
Escolheram então Erasmo Carlos, autor da música de sucesso que seria o título do programa (Festa de Arromba) e Wanderléa para dividirem o palco com Roberto Carlos.
Os três ponderaram que a música iria passar e o título ficaria sem força.
Foi escolhido então JOVEM GUARDA, que simbolizava este momento em que a juventude ganhava voz.

Era domingo, 16:30 do dia 22 de agosto de 1965.
Na rua da Consolação, auditório da Record, foi ao ar o primeiro programa Jovem Guarda. O público, formado de jovens que não passavam de seus 20 anos, superlotou o teatro assobiando, cantando e berrando durante uma hora ao som de Os Incríveis, Tony Campello, Wanderléa, Rosemary, Ronnie Cord, The Jet Blacks, Erasmo Carlos e Prini Lorez.
Roberto Carlos arrumou seu microfone, curvou o tronco até a altura dos joelhos, o medalhão de ouro saltou da camisa, esticou o braço e anunciou: O Meu Amigo Erasmo Carlos!
Tinha início O Maior Show da Música Juvenil!
Assim noticiou a imprensa da época a estreia de Roberto e o programa Jovem Guarda.

Em menos de três meses a audiência do programa Jovem Guarda era de 3 milhões de espectadores, só em São Paulo!
O programa passou a ser transmitido do Teatro Paramount, ao vivo para São Paulo, e em tape para o Rio e Belo Horizonte.
Roberto e Erasmo usavam terninhos sem gola, bem ao estilo Beatles, além dos cabelos “desafiadoramente compridos” para a época.
As fãs gritavam:
“Ei, ei, ei, Roberto é nosso Rei” ou “Asa, Asa, Asa, Roberto é uma Brasa”.

O programa Jovem Guarda ajudou a mudar a concepção artística do Brasil. Cantores, músicos, grupos, etc, começam a ganhar dinheiro.
Com a audiência de quase 100 pontos no IBOPE ( janeiro de 1966) o cachê dos artistas se valorizou no mercado de shows. Novos grupos e cantores surgiram como Ed Carlos, Marcio Greyck, Martinha, Os Jetsons, entre outros e roqueiros antigos como Bobby de Carlo, Dori Edson e George Freedman retornam triunfantes através do Jovem Guarda.

Mas Jovem Guarda não era só música e cabelos compridos.

Roberto Carlos, em julho de 1966, começou a solicitar em seu programa, a doação de agasalhos para os pobres. A campanha ganhou corpo e foi encenada uma vigília com a participação de todo o “cast” da Record. Foram recolhidos mais de 10 mil agasalhos. Uma belíssima atitude dos jovens cantores de Iê-iê-iê. Foi um evento único no mundo, com jovens ídolos liderando uma campanha desta envergadura.
E não foi só esta a campanha organizada pelo programa. Roberto e Erasmo lançaram também, em novembro de 1966, uma Campanha de Natal em favor dos meninos pobres. Na época o Brasa disse que todo o ano seria assim, pois ele, como ninguém, sabia o que era passar o Natal sem brinquedos.

O Programa Jovem Guarda (canal 4, todos os sábados às 20 hs) fazia parte dos programas de maior audiência do Brasil. Concorreu com Discoteca do Chacrinha, A Hora da Buzinha, O Sheik de Agadir e Moacir Franco Show. (Ago/66)

Em fevereiro de 1967 a TV-Rio, que havia cancelado o programa Jovem Guarda em agosto de 1965 por falta de audiência, gastou vários milhões para contar outra vez com o programa em sua grade.
Numa sexta feira chuvosa, a plateia possuída por um delírio incontrolável recebeu Roberto Carlos. Ele cantou alguns de seus sucessos e apresentou sua turma: Ary Sanches, Martinha, The Angels, Leno e Lílian, Luis Carlos Ely, The Fevers, Trio EsperanÁa, Wanderléa, José Ricardo, Golden Boys e Jorge Bem.
A direção era de Carlos Manga que tinha fama de “linha dura” e chamava a atenção de todos por seus atrasos.
Nem Roberto Carlos escapou de uma bronca:
“Você é o dono do programa e sua obrigação é dar o exemplo”, teria dito ao Brasa.
Em poucos meses o programa Rio Jovem Guarda passou a fazer parte dos 10 de maior audiência.

Roberto Carlos diversificava suas atividades e entre gravação de seu filme “Roberto Carlos em Ritmo de Aventura”, shows no Brasil, Portugal, Argentina e diversos outros países. Ganhou o Festival de San Remo defendendo a música “Canzone per te” de Sergio Endrigo.
Ao retornar ao Brasil, 10.000 pessoas foram recebê-lo no Galeão.

Logo depois uma mudança aconteceria…

O dia 17 de Janeiro de 1968 marcou o último programa Jovem Guarda com Roberto Carlos no comando. Roberto, Erasmo e Wanderléa foram flagrados por todos os fotógrafos chorando muito, sempre abraçados. O programa passou ao comando duplo de Wanderléa e Erasmo Carlos.
Finalmente em junho de 1968 o Programa saiu do ar definitivamente.

Na época, Roberto Carlos deu a seguinte declaração sobre o fim do programa:
“A Jovem Guarda não acabou só porque um programa com o seu nome saiu do ar. Isto não quer dizer que o movimento acabou. O Programa Jovem Guarda cumpriu suas finalidades, e até ultrapassou a expectativa desse movimento.
Jovem Guarda quer dizer renovação, porque é sinônimo de juventude. … como uma corrida de revezamento, entende? Um vai passando o bastão para o outro, só que esta corrida não tem fim, porque a juventude é eterna, dinâmica, e, graças aos Céus, tem sempre fome de coisas novas.”

Mas que deixou saudades isso lá deixou…
Vamos curtir algumas fotos da época? Clique aqui

 

Vamos curtir alguns dos maiores sucessos dessa época?